Por que te vás
se ainda não te pude conhecer?
Por que te vás
se ainda não te pude compreender?
Por que me deixas?
Por que calaste?
Por que não falas?
Por que te foste?
Por que te vás
se ainda não te pude conhecer?
Por que te vás
se ainda não te pude compreender?
Por que me deixas?
Por que calaste?
Por que não falas?
Por que te foste?
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Que dim os valorosos
deste povo doente
mas de espírito ardente
nas ruas do lugar?
Que dim os generosos
no dia assinalado
com grito compassado
nas ruas do meu lar?
Hoje estão convencidos
de sermos todos um
mas não há já nenhum
que veja, em outro, irmão.
Hoje, povo vencido
do próprio nunca dono.
Despertarás do sono,
Nação de Breogão?
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Diz-me que me amas,
diz-me que me queres.
Misteriosa dama
dona de prazeres.
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Que será este brilho claro?
Será o sorriso da Lua?
Será este o meu faro?
Será esta luz a sua?
Poderei ter nele emparo?
Escapar já da cafua?
E fugir do desamparo,
da penumbra fria e crua?
Tenho lágrimas nos olhos.
Não acredito na sorte
de ultrapassar os escolhos,
de ter topado o meu norte,
ter fugido dos abrolhos,
ter escapado da morte.
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Atravessou sem cuidado
desgarrando-me ao seu passo.
Já verei que cona faço
pra amanhar o estropiado.
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Há sobre a terra um espelho
para ela se observar,
desde o céu acariciar
o seu rosto branco e velho.
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Quer absorver o calor,
enquanto à vida se aferra,
mas já dá sentido a dor
que a matará sobre a terra.
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Céu cinzento, está a chorar
nos dedos dos rumorosos
estendidos pra tocar
a paixão do glorioso.
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Noite sem lua, a chover,
águas silenciosas, frias,
aonde vão todas as rias,
aonde todas vão morrer.
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Para a pessoa que quiser saber
por que não me reconheço espanhol,
por favor, tome a moléstia de ler
antes de pretender sair a prol
da ideologia da eliminação
de todo rasto de diversidade
dessa “Una, grande, libre” nação
criada e imposta com brutalidade.
Não sou espanhol pola geografia:
na minha terra há enormes verdes fragas,
filhas das tormentas do dia a dia,
que se salvam dos calores, das pragas.
Não sou pola língua de meus avôs,
de meus pais, meus vizinhos, de meus filhos,
mesmo se hoje está em estreita fos
por culpa de quem quer armar sarilhos.
Não me sinto quando sento a jantar,
quando recebo os frutos desta terra
que dá o privilégio de desfrutar
de delícias líquidas numa jerra.
Não me identifico pola ignorância
de qualquer espanhol sobre o meu povo:
à nossa origem não dão importância
até fracassarmos. Já não é novo.
Não podo irmanar-me pola má fé
de quem impede sermos soberanos
e decidir nosso futuro. É
melhor servirmos espanhóis ufanos.
Não assimilo deixar de ser eu
e submeter-me aos colonizadores,
perder a liberdade, ser um reu
de quem reconheço como invasores.
Não sou espanhol porque sou galego.
Não sou espanhol porque -não- não quero.
Não desejo sê-lo porque não nego
a necessidade de ser sincero
com o que sinto, minha identidade,
com o que desejo chegar a ser,
co intenso sentimento de saudade
pola Galiza, que me viu nascer.
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