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Trova III

Quer absorver o calor,
enquanto à vida se aferra,
mas já dá sentido a dor
que a matará sobre a terra.

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Trova II

Céu cinzento, está a chorar
nos dedos dos rumorosos
estendidos pra tocar
a paixão do glorioso.

Trova I

Noite sem lua, a chover,
águas silenciosas, frias,
aonde vão todas as rias,
aonde todas vão morrer.

Horizonte

Os teus beiços quero saborear,
que me dê em todo o corpo um arrepio,
quero ficar de coração vazio,
sem palavras, sem poder contestar.

Desejo no teu sentir um lugar
estável e fixo, não passadio,
desejo abordar o teu navio
e assim juntos podermos navegar.

Necessito levar-te já daqui,
os dous voarmos cara esse horizonte,
a esse lugar pensado para ti.

Penso beber da tua língua, da fonte
de palavras de amor, assim que ri.
Cruzemos juntos essa estreita ponte.

Sorri

Fechei os olhos, mirei
dentro do mar interior,
dentro deste coração.

Sentim em verso, sem lei.
Lembrei o nosso calor.
Fiquei sem respiração.

Lágrimas a escorregar
por tua pele suave e branca
enquanto nos abraçamos.

Não quero ver-te chorar.
Destruirei o que te manca.
Sorri mentres nos amamos.

Reflexões

Silêncio nocturno
em cálida harmonia
com o leve rosmar
das águas do tempo.

Os segundo fogem
como grãos de areia
entre os dedos febles
destas pobres mãos.

Onde estás, guardião,
tu que observas na distância
o que o meu ser anseia?

Onde estás, irmão,
tu que sempre tens constância
para forjar cadeias?

Escrito em 2009

Sem rumo

Custa-me pensar
Tento bater as asas e voar
Mas é inútil, não fica ar
Não tenho jeito de me impulsar.

Estou preso em gaiola dourada
Mas firme e dura, bem fabricada.
O peso do tempo, a forma da nada.
A falta de rumo, a vida passada.

Soment’ tenho ganas de dormir
De recuperar-me e voltar a sentir
A força que um dia me fizo sair
Ao mundo, à terra, com ganas de agir.

Sinto-me como um vulgar passarinho
Que não pode nem topar seu caminho
Quero paciência? Quero carinho?

Escrito em 27 de Agosto de 2009