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Posts Tagged ‘Política’

Rebelião

Foram ambos os dous pastar
A vaca, o touro, devagar
O touro sempre a abafalhar
A vaca dixo que está cansa

Trabalho arreu pra leite dar
Mas isto um dia vai finar
Levo já um tempo a me cansar
E vou deixar de ser tão mansa

A novela dixo não
Que viva a revolução!

Um dia destes vou deixar
De vos dar cousas pra tomar
O leite agre vai estar
Não comereis os meus filhinhos

Não vai haver mais abstenção
Já é suficiente abnegação
Uma pequena aclaração
Podo morar cos meus vizinhos

A novela dixo não
Que viva a revolução!

Tu, bravo touro, escuita bem
Que quede claro: sou alguém
Estou já farta de desdém
E de sentir-me decaída

Que saibas que vou ir além
Do sentimento de fraquém
E não me vai parar ninguém
Quero viver a minha vida

A novela dixo não
Que viva a revolução!

Publicado originalmente em Abril de 2005
Baseado em
La Gallineta de Lluis Llach


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Algo jamais logrado

Houve uma vez um rei
que viveu o fim do seu reinado
O povo tirou-lhe todo o seu poder
e instaurou algo jamais logrado

Não seguirom coa injusta tradição
Abrirom as portas ao mundo
Conseguirom essa ansiada Revolução
Conseguirom aquele sonho profundo

Por que não vivermos sem pátria nem bandeira?
Por que não esquecermos as condenadas fronteiras?

No conjunto da Humanidade
na nossa imensa diversidade

Teremos muito que ganhar
Viva o poder popular!

Publicado originalmente em Dezembro de 2004

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Dia de Nadal

Celebra connosco este dia de Nadal
Celebra-o connosco e enche o teu padal
Mas lembra que há nenos que não têm comida
Lembra os infernos que são as suas vidas

A nossa festa é tudo ostentação
Termos de tudo fronte à sua privação
Tens de estar ciente desta realidade
E afrontá-la já com muita frialdade

Assim não podemos continuar
Este problema temos de solucionar
Que não haja bocas com fame!
Que nenhuma bágoa se derrame!

Repartamos o que temos
Se quisermos, poderemos
Não à globalização
Sim à repartição

Publicado originalmente em Dezembro de 2004

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Algo sem nome

Respira-se o silêncio da rua
Vê-se o valeiro do ar

Não ouço rem
Não há ninguém
mas a rua está cheia

Algo impede falar
Algo sem nome
Algo sem rosto
Algo sem corpo

Tem todos ameaçados
todos engaiolados

Começa a falar uma voz
Todos escuitam, temerosos

Alguém alça-se contra a voz
e os outros acabam com ele

Não entendo rem

As mentes não são livres
Os povos são escravos

Mas chegará
Chegará o dia
em que os povos serão livres

Publicado originalmente em Novembro de 2004

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Festa nas ruas

Festa nas ruas
Canto popular
O que celebramos?
A morte da vida
A morte do mar

Devemos chorar?
Não, devemos berrar
Que se ouça bem alto
O berro popular

Que nunca se olvide
Que nunca se esqueça
o que nos fizerom
Que fique nas nossas cabeças
que as sereias do mar morrerom

Morrerom por coita
de verem seu mar
seu mar destroçado
aniquilado, assassinado

Os criminosos vivem
como se não se passasse rem
Mentem, insistem
E nós perguntamos por quê

Por que aturar estes miseráveis
Por que não cambiar este desatino
Pedir responsabilidades
Podemos mudar nosso destino

Os galegos protestamos
Somos bravos, luitadores
Os galegos não calamos
Os galegos pelejamos

Nunca mais ver o mar morto
Nunca mais termos ar podre
Nunca mais as areias negras
Nunca mais

(13 de Novembro, dia da Dignidade)

Publicado originalmente em Novembro de 2004

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