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Posts Tagged ‘Soneto’

Poeta

Poeta é aquele capaz de converter
uma mirada verde em dous olhos de gato.
Poeta é aquele que dum sol-pôr faz ver
que lua, sol e mar fazem um triunvirato.

Poeta é aquele que sabe enobrecer
palavras vãs, baleiras, de falabarato.
Poeta é aquele que pode fazer ser
um mar onde perder-se os beiços que hoje cato,

uma escaleira ao céu esse teu par de pernas,
presente de Vénus o monte que o governa,
cova das maravilhas onde não dá o sol,

película de seda branca a que te envolve,
canto de sereia o gemido que me absolve,
o teu virgo quebrado pétalas de frol.

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A luz do sol

Que será este brilho claro?
Será o sorriso da Lua?
Será este o meu faro?
Será esta luz a sua?

Poderei ter nele emparo?
Escapar já da cafua?
E fugir do desamparo,
da penumbra fria e crua?

Tenho lágrimas nos olhos.
Não acredito na sorte
de ultrapassar os escolhos,

de ter topado o meu norte,
ter fugido dos abrolhos,
ter escapado da morte.

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Horizonte

Os teus beiços quero saborear,
que me dê em todo o corpo um arrepio,
quero ficar de coração vazio,
sem palavras, sem poder contestar.

Desejo no teu sentir um lugar
estável e fixo, não passadio,
desejo abordar o teu navio
e assim juntos podermos navegar.

Necessito levar-te já daqui,
os dous voarmos cara esse horizonte,
a esse lugar pensado para ti.

Penso beber da tua língua, da fonte
de palavras de amor, assim que ri.
Cruzemos juntos essa estreita ponte.

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Parabéns

Mais uma volta deu o nosso mundo
durante um longo e fadigoso ano.
Não che digo esta frase em castelhano
que por ser tu seria algo jucundo.

E, dos dous quartetos, polo segundo
sem eu querer, já che estou, de piano,
mas não quero que te dês a engano:
pode ser um soneto verecundo.

Quereria ser parte dos teus sonhos
e poder sacar-te dos pesadelos,
ver o teu rosto contente e risonho,

ser quem de dar-che os íntimos anelos
para não vê-lo sombrio e tristonho
e entrar do teu coração no castelo.

Publicado originalmente em Março de 2005

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Soneto

Sempre quis escrever-che algum soneto
com versos bonitos e interessantes.
As minhas verbas podem ser galantes
mas somente com amor as prometo.

Quando vou polo segundo quarteto
lembro-me dos teus olhinhos radiantes;
resultarom-me mais que fascinantes
e se me olhas sempre me derreto.

Do teu sorriso fiquei namorado
por essa felicidade que amostras
e que sempre me deixava calado.

Os teus risos sempre contagiosos…
Choraria por tê-los silenciado
sabendo que são tão agarimosos.

Publicado originalmente em Dezembro de 2004
Escrito em Março de 2004

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Grândola, a tua vontade

Escuito na rádio a Grândola
Esse coro que não cessa
As pegadas sobre a areia
Os olhos, algumas bágoas

Ruas enchidas de gente
Berrando por liberdade
Terra da fraternidade
Luitam é polo que sentem

Vem-me direto à cabeça
Grândola, Vila Morena
Faz que já nunca o esqueça

O povo é quem mais ordena
Palavras sem cainheça
Escuitar pagou a pena

Publicado originalmente em Outubro de 2004

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